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UMA CASA DE CANDOMBLÉ |
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OS ATABAQUES |
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Nos terreiros de candomblé de nação ketto , principalmente os mais tradicionais , costumam se tocar em três atabaques conhecidos como: Rum ( o maior ) Rumpí ( o médio ) e Lé ( o menor . Os ogãs talabês tocam utilizando duas varinhas denominadas de agdavi estas varinhas geralmente são feitas do galho da goiabeira . É de extrema importância os toques dos tambores pois , através dos mesmos o ogã poderá invocar os orixás e , desta feita os mesmos poderão virar ( incorporar ) nos seus respectivos yaôs . |
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| Os ogãs cantam e entoam cânticos especiais sempre na lingua yorubá dialeto africano . Eles tocam ritmos sagrados como: Alujá , aguerê , quebra louças e muitos outros . |
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O EXÚ GUARDIÃO |
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| Em todos os terreiros de candomblé os visitantes encontram logo na entrada do lado esquerdo de quem entra , uma repartição construída do lado de fora . É uma espécie de quarto feito do lado de fora e sempre do lado esquerdo de quem entra . Trata – se de um local extremamente sagrado pois , é ali que se encontra assentado ( materializado ) o Exu guardião da casa . A este Exu dá se o nome de Bára . Cada pessoa possui o seu próprio Bára e , por este motivo dá se também a ele o nome de guardião . Este Exu é sempre conferido varias vezes no jogo de búzios antes da feitura do yaô e , assentado corretamente . Dependendo do orixá a que pertence o yaô , deve se assentar o seu Bára até mesmo faltando alguns dias para a feitura do orixá do yaô . Num assentamento de Exu procede – se um ritual todo especial e específico . Para compor o assentamento geralmente são utilizados materiais da natureza como: Ouro , cobre , chumbo , pedaços de trilhos de linha férrea , azougue , correntes , terras de diversos locais e muitos outros . Existem diversas maneiras de materializar um Bára e , cada sacerdote faz a sua maneira . Alguns assentam em um grande oberó ( alguidar ) outros assentam num grande caldeirão de ferro , outros assentam num tronco de uma determinada árvore e , assim sucessivamente . Veja na foto acima um assentamento de Bára . |
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ORIXÁ IRÔCO |
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| Tambem do lado de fora das casas de candomblé de nação ketto , existe um local dedicado ao assentamento do orixá Irôco também conhecido como orixá Tempo . É um assentamento especial geralmente feito nos pés da árvore deste orixá . Aqui no Brasil costumam utilizar a gameleira branca . Assentam – se e costumam levantar ali uma vara com um pedaço de pano branco em cima . É uma espécie de bandeira . Na nação ketto para todos os assentamentos usam – se as respectivas ferramentas de acordo com cada orixá a ser assentado . |
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OS EGUNS |
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| O Egun é a
morte que volta à terra em forma espiritual e visível aos olhos dos
vivos. Ele “nasce” através de ritos que sua comunidade elabora e
pelas mãos dos ojé (sacerdotes) munidos de um instrumento invocatório,
um bastão chamado ixan, que, quando tocado na terra por três vezes e
acompanhado de palavras e gestos rituais, faz com que a “morte se
torne vida”, e o Egungun ancestral individualizado está de novo
“vivo”. A aparição dos Eguns
é cercada de total mistério, diferente do culto aos Orixás, em que o
transe acontece durante as cerimônias públicas, perante olhares
profanos, fiéis e iniciados. O Egungun simplesmente surge no salão,
causando impacto visual e usando a surpresa como rito. Apresenta-se com
uma forma corporal humana totalmente recoberta por uma roupa de tiras
multicoloridas, que caem da parte superior da cabeça formando uma
grande massa de panos, da qual não se vê nenhum vestígio do que é ou
de quem está sob a roupa. Fala com uma voz gutural inumana, rouca, ou
às vezes aguda, metálica e estridente — característica de Egun,
chamada de séégí ou sé, e que está relacionada com a voz do macaco
marrom, chamado ijimerê na Nigéria. As tradições
religiosas dizem que sob a roupa está somente a energia do ancestral;
outras correntes já afirmam estar sob os panos algum mariwo (iniciado
no culto de Egun) sob transe mediúnico. Mas, contradizendo a lei do
culto, os mariwo não podem cair em transe, de qualquer tipo que seja.
Pelo sim ou pelo não, Egun está entre os vivos, e não se pode negar
sua presença, energética ou mediúnica, pois as roupas ali estão e
isto é Egun. A roupa do Egun —
chamada de eku na Nigéria ou opá na Bahia , ou o Egungun propriamente
dito, é altamente sacra ou sacrossanta e, por dogma, nenhum humano pode
tocá-la. Todos os mariwo usam o ixan para controlar a “morte”, ali
representada pelos Eguns. Eles e a assistência não devem tocar-se,
pois, como é dito nas falas populares dessas comunidades, a pessoa que
for tocada por Egun se tornará um assombrado”, e o perigo a rondará.
Ela então deverá passar por vários ritos de purificação para
afastar os perigos de doença ou, talvez, a própria morte. Ora, o Egun é a
materialização da morte sob as tiras de pano, e o contato, ainda que
um simples esbarrão nessas tiras, é prejudicial. E mesmo os mais
qualificados sacerdotes — como os Ojé atokun, que invocam, guiam e
zelam por um ou mais Eguns — desempenham todas essas atribuições
substituindo as mãos pelo ixan. Os Egun-Agbá (ancião),
também chamados de Babá-Egun (pai), são Eguns que já tiveram os seus
ritos completos e permitem, por isso, que suas roupas sejam mais
completas e suas vozes sejam liberadas para que eles possam conversar
com os vivos. Os Apaaraká são Eguns,ainda mudos e suas roupas são as
mais simples: não têm tiras e parecem um quadro de pano com duas
telas, uma na frente e outra atrás. Esses Eguns ainda estão em
processo de elaboração para alcançar o status de Babá; são
traquinos e imprevisíveis, assustam e causam terror ao povo. O eku dos Babá são
divididos em três partes: o abalá, que é uma armação quadrada ou
redonda, como se fosse um chapéu que cobre totalmente a extremidade
superior do Babá, e da qual caem várias tiras de pano coloridas,
formando uma espécie de largas franjas ao seu redor; o kafô, uma túnica
de mangas que acabam em luvas, e pernas que acabam igualmente em
sapatos, do qual ,também caem muitas tiras de pano da altura do tórax
; e o banté, que é uma larga tira de pano especial presa ao kafô e
individualmente decorada e que identifica o Babá. |
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EKODIDÉ |
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| Ekodidé é uma pena vermelha tirada de uma raça de papagaio africano . Aqui no Brasil este papagaio é conhecido como papagaio gabão e também é chamado de papagaio cinzento . Esta pena é utilizada nos ritos de passagem , na feitura de santo e por todos eleguns, que carregam em sua testa ou no centro da cabeça, simbolizando a realeza, honra, status adquirido pelo fato dele ter se iniciado para ser um novo sacerdote dedicado ao culto daquele Orixá, possibilitando a este individuo o dom da palavra e sabedoria no novo aprendizado desta cultura chamada de candomblé. |
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